Teatro de Ofertantes está de volta com “Duas Perdidas Numa Noite Suja”

Cena do espetáculo “Duas Perdidas Numa Noite Suja”, ano passado, na sala Ariano Suassuna, no EducaMais Jacareí Crédito: Valter Pereira/PMJ
Cena do espetáculo “Duas Perdidas Numa Noite Suja”, ano passado, na sala Ariano Suassuna, no EducaMais Jacareí
Crédito: Valter Pereira/PMJ

Reestreia sábado comemora 20 anos do grupo, o mais antigo da cidade

O Grupo Teatro de Ofertantes se prepara para retomar mais uma temporada do espetáculo “Duas Perdidas Numa Noite Suja” em comemoração aos 20 anos de carreira. Neste sábado (21), às 20h, a peça será encenada no Espaço das Artes Carlos Guedes. (Rua São Jerônimo, 311, Jardim das Indústrias). Os ingressos custam R$10,00. Classificação 18 anos.

A peça, inspirada em “Dois Perdidos Numa Noite Suja”, de Plínio Marcos, ficou em cartaz entre 2011 e 2012. Mas, segundo o diretor Cláudio Koca, volta aos palcos com algumas mudanças. “Essa apresentação de sábado, vem com a inserção de um vídeo, que produzimos junto com o CineClube Jacareí, entre outras mudanças. É um ato de experimento como parte das comemorações do aniversário do Grupo Ofertantes. E como será encenada em formato de arena, possibilita maior interação do público. Ao final teremos um bate-papo com a plateia para avaliarmos as novidades”, comenta o diretor.

Trajetória – O Grupo Teatro de Ofertantes foi fundado em 21 de novembro de 1995 por Claudio Koca e Rose Ribeiro. Com o passar do tempo, a atriz foi trilhar outros caminhos. Koca permaneceu “bravamente”, como ressalta a atriz Andreia Barros no depoimento abaixo.

Nessas duas décadas, os integrantes foram mudando. Hoje, o elenco fixo do grupo, além de Koca, é formado pelas atrizes Rosemara Santos e Patrícia Lima. “Temos participações de atores convidados. É difícil manter um elenco fixo com mais atores, porque a maioria sempre está envolvida em outros trabalhos e não tem condições de se dedicar integralmente ao grupo”.

“O grupo nasceu da necessidade da gente questionar não só a arte, mas incluir na nossa forma de expressão a questão social, temas que tocam na ferida da sociedade”, diz Koca. “Na ocasião a única pessoa que comprou essa ideia foi a Rose (Ribeiro)”, lembra o diretor. Rose deixou a carreira de atriz e trabalha atualmente área empresarial.
Seguindo a proposta de temas que “tocam na ferida”, o grupo realizou a primeira montagem (1995-1996): “Valsa nº 6”, de Nelson Rodrigues, que trata de abuso sexual e pedofilia. Depois da estreia, vieram as tramas ‘rodriguinianas’ “Senhora dos Afogados” (1995/1996), “A Serpente” (1997/1998), “Anjo Negro” (1999/2000) e “Perdoa-me por me traíres” (2003/2004).

O tema “meio pancada”, como define o próprio Koca, continuaram com as montagens de outro autor do rotulado “teatro maldito”, Plínio Marcos. “O Abajur Lilás” (2001/2002), “Querô” (2007/2008), “Bicho de São Sererê” (2009/2010), “Duas Perdidas Numa Noite Suja” – versão feminina de “Dois Perdidos numa Noite Suja” (2011/2012).
Para Koca, falar destes temas por meio da arte, pode gerar incompreensão por parte de algumas pessoas, mas isso não desanima. “Vem do que acredito do que precisa ser dito nos palcos. O teatro só como entretenimento, que deixa todo mundo rindo ao final, não me interessa”, explica. “Não foi fácil sobreviver até hoje, sendo fiel a essa ideologia de colocar o dedo na ferida. Quando você ousa tocar nesses temas, você é incompreendido, é visto como um artista torto”, alfineta o diretor.

Autoral – Em 2013, o grupo Teatro de Ofertantes leva aos palcos a primeira peça escrita por Claudio Koca. “Em Nome do Pai” tem como temática a exclusão social. Com os destinos “traçados pela intolerância humana”, os moradores de rua Maneco, Manuela e Gorda dividem espaço na calçada de uma metrópole. O cotidiano do trio é alterado pela chegada de Vitória, criança recém-nascida abandonada numa caçamba de lixo e encontrada por Manuela.

 

Teatro que vem das entranhas

A atriz Andreia Barros da Cia Teatro da Cidade de São José dos Campos, fundada há 25 anos, falou sobre o grupo Teatro de Ofertantes. “É um teatro que vem das entranhas”, diz ao se referir ao fato do grupo trabalhar com a temática de injustiças sociais.

Para ela, persistência, dedicação e seriedade são os motivos que levam o grupo a “sobreviver” por duas décadas. “Sobreviver do teatro por mais de 20 anos não é fácil, principalmente no interior de São Paulo”, diz a atriz. “Tenho acompanhado o trabalho do Koca, à frente do grupo Teatro de Ofertantes, que bravamente tem lutado pelo teatro local, com seriedade, pesquisa e persistência”.

“O Koca é acima de tudo um homem indignado com a vida e passa isso para o teatro. O teatro dele é muito vivo, muito forte, orgânico! É um teatro que vem das entranhas, vem do fundo do coração em relação às coisas que acontecem de injustiça na própria vida.

Quando assisto ao teatro do grupo Ofertantes fico comovida, principalmente em relação à obra de Plínio Marcos, com todas questões da sociedade tão abertas. Porque Plínio também era um homem indignado com as injustiças. E o Koca sabe trabalhar essas questões que levam à reflexão, que provocam um mal estar no sentido de questionamento: o que estou fazendo para melhorar essa sociedade, essas pessoas? Acho isso. Um trabalho muito digno e bonito do grupo Ofertantes. E tem de continuar por mais 30, 40 anos”.

(Rosana Antunes/PMJ)

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