Nascida em 18 de março de 1930, no município de Queluz, Therezinha Maria Duarte, conhecida como Mãe Terezinha, foi uma importante dirigente de terreiro e referência na preservação das tradições religiosas de matriz afro-brasileira em Jacareí, São Paulo. Reconhecida como Mestre Cultura Viva em 2012, dedicou sua vida à vivência, organização e fortalecimento das práticas religiosas ligadas à Umbanda e ao Candomblé.
Em 1950, mudou-se para Jacareí, onde iniciou sua trajetória religiosa e comunitária de forma mais intensa. Desde então, passou a exercer sua fé com profunda devoção, tornando-se uma liderança espiritual respeitada dentro de sua comunidade.
Devota de Oxum, Mãe Terezinha construiu sua caminhada espiritual sob a orientação simbólica dessa orixá, associada às águas doces, à fertilidade, à prosperidade e à sensibilidade. Oxum, figura central nas religiões de matriz africana, representa também a força feminina, a beleza e a riqueza espiritual, sendo amplamente cultuada no Candomblé e na Umbanda.
Como praticante e dirigente de terreiro, Mãe Terezinha realizou, em 1966, sua primeira grande festa em homenagem a Oxum, realizada na Prainha. Esse evento tornou-se uma tradição anual, mantida ao longo dos anos, reunindo devotos e fortalecendo os laços comunitários em torno da religiosidade afro-brasileira. As celebrações organizadas por ela se tornaram espaços de fé, acolhimento e resistência cultural.
Sua atuação não se limitava ao campo espiritual, mas também envolvia a preservação de uma importante herança cultural. Os terreiros, enquanto espaços religiosos e comunitários, desempenham papel fundamental na transmissão de saberes, na manutenção de rituais e na afirmação da identidade cultural afro-brasileira. Nesse contexto, Mãe Terezinha exerceu liderança significativa, contribuindo para a continuidade dessas práticas em sua região.
Em novembro de 2008, foi homenageada na I Confraternização Municipal Comemorativa de Umbanda e Candomblé de Jacareí, reconhecimento de sua trajetória e de sua contribuição para a valorização das religiões de matriz africana no município.
Ao longo de sua vida, Therezinha Maria Duarte consolidou-se como uma guardiã da fé, da tradição e da cultura afro-brasileira. Sua história representa a força das lideranças femininas dentro dos terreiros e a importância da preservação das práticas religiosas que constituem parte fundamental da identidade cultural brasileira.
Seu legado permanece vivo na memória das celebrações dedicadas a Oxum, na continuidade das tradições que ajudou a manter e na influência espiritual exercida sobre sua comunidade.