Nascido em 7 de setembro de 1950, em Jacareí, São Paulo, Ismael de Moraes, conhecido como “Seu Nêgo”, é uma importante liderança da cultura popular brasileira, especialmente no contexto das tradições afro-brasileiras ligadas às festas religiosas. Reconhecido como Mestre Cultura Viva em 2013, construiu uma trajetória profundamente marcada pela preservação e transmissão da tradição do Moçambique.
Sua vivência com essa manifestação cultural começou ainda na infância, em 1955, quando teve contato direto com os rituais e práticas do Moçambique em sua comunidade. Sua história familiar também está profundamente ligada a essa tradição. Segundo relato, sua mãe, após um episódio de sofrimento físico, fez uma promessa a São Benedito e, em decorrência disso, o entregou simbolicamente ao santo. A partir desse momento, passou a vesti-lo de branco para participar das danças de Moçambique, iniciando assim sua formação dentro da tradição.
Ao longo dos anos, Ismael de Moraes consolidou-se como mestre moçambiqueiro, tornando-se referência na condução dessa manifestação cultural em Jacareí. Sua atuação como líder envolve a organização dos grupos, a manutenção dos rituais e a preservação dos conhecimentos transmitidos oralmente entre gerações.
Conhecido como Seu Nêgo, também desenvolve um importante trabalho de difusão cultural, participando de iniciativas voltadas à valorização do Moçambique nas escolas. Por meio desse projeto, contribui para aproximar crianças e jovens dessa tradição, garantindo sua continuidade e ampliando o reconhecimento de sua importância cultural.
Sua atuação é especialmente relevante por ser considerado um dos últimos grandes conservadores da tradição do Moçambique em Jacareí. Seu compromisso com a preservação dessa manifestação cultural faz dele uma figura central na manutenção de um patrimônio imaterial que combina fé, música, dança e identidade comunitária.
O Moçambique é uma dança folclórica de origem afro-brasileira, tradicionalmente associada às festas religiosas como a Festa do Divino e a Folia de Reis. Caracteriza-se por cortejos que percorrem as ruas com canto, dança e percussão, frequentemente acompanhados por instrumentos de corda e por guizos presos aos tornozelos dos participantes.
Essa manifestação cultural, presente em diversos estados brasileiros como São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, representa uma importante expressão da herança africana no Brasil, sendo transmitida de geração em geração como forma de resistência, fé e celebração comunitária.
A trajetória de Ismael de Moraes evidencia a importância dos mestres populares na preservação dessas tradições. Seu trabalho como moçambiqueiro e educador cultural contribui diretamente para a continuidade de uma das mais significativas manifestações da cultura afro-brasileira no país.
Seu legado permanece vivo nas apresentações do grupo, nas ações educativas e na transmissão dos saberes tradicionais, reafirmando a força do Moçambique como expressão de identidade, memória e espiritualidade.