Biografia dos Mestres da Cultura Viva

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Reconhecido como Mestre Cultura Viva em 2016, Jorge Oliveira Freitas, conhecido popularmente como Volta Seca, é um importante representante da cultura caipira e sertaneja, especialmente no que diz respeito à tradição do berrante. Sua trajetória é marcada pela preservação de um saber musical ligado à vida no campo, às práticas de trabalho com o gado e às tradições do universo rural brasileiro.

Desde jovem, demonstrou interesse por essa manifestação cultural. Aos 17 anos, teve seu primeiro contato direto com o berrante, instrumento que se tornaria o centro de sua atuação artística e cultural. A partir desse momento, iniciou sua caminhada como berranteiro, desenvolvendo técnica, sensibilidade e domínio sobre os sons característicos desse instrumento tradicional.

Ao longo de quase meio século, manteve-se inserido na cultura caipira e sertaneja, participando de eventos, encontros culturais e atividades voltadas à valorização das tradições do campo. Sua atuação contribuiu para manter viva uma prática que, embora ligada ao cotidiano rural, também possui forte dimensão simbólica e cultural.

Além de sua atuação como executante, Volta Seca também desempenha um importante papel como transmissor de conhecimento. Dedica-se a ensinar a técnica do berrante a pessoas interessadas em aprender esse ofício, garantindo a continuidade de uma tradição que depende fortemente da oralidade, da prática e da convivência com mestres experientes.

O berrante é um instrumento de sopro tradicional, também conhecido por nomes como chifre, buzina, guampo ou corno. Produzido a partir de chifres de boi ou outros animais, é utilizado desde a antiguidade por pastores como forma de comunicação à distância. Sua sonoridade marcante permite transmitir sinais em ambientes abertos, especialmente no contexto do manejo de rebanhos.

No Brasil, o uso do berrante foi incorporado pelas práticas do tropeirismo durante o período colonial, tornando-se parte fundamental da cultura sertaneja. Ao longo do tempo, o instrumento passou a ser utilizado por vaqueiros e comitivas, principalmente para chamar o gado, orientar deslocamentos e comunicar ações durante o trabalho no campo.

Mais do que um instrumento funcional, o berrante tornou-se um símbolo da identidade rural brasileira, associado à vida no sertão, às tradições do campo e à memória das antigas rotas de tropeiros. Sua sonoridade é frequentemente reconhecida como um elemento cultural que remete à história e à formação do interior do Brasil.

A trajetória de Jorge Oliveira Freitas evidencia a importância dos mestres populares na preservação desses saberes tradicionais. Seu trabalho como berranteiro e educador cultural contribui para a manutenção de uma prática que integra música, trabalho rural e identidade cultural.

Em reconhecimento à sua contribuição para a cultura popular, recebeu em 2016 o título de Mestre Cultura Viva, distinção concedida a pessoas que desempenham papel fundamental na preservação e transmissão dos saberes tradicionais brasileiros.

Seu legado permanece vivo na continuidade da tradição do berrante, nos ensinamentos transmitidos a novos praticantes e na valorização da cultura caipira e sertaneja como parte essencial da identidade cultural brasileira.