Biografia dos Mestres da Cultura Viva

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Nascida em 16 de dezembro de 1939, em Mogi das Cruzes, São Paulo, Joy Unger Ramos Denkena dedicou grande parte de sua vida à preservação e à difusão de uma das mais refinadas tradições do artesanato têxtil: a tapeçaria de Arraiolo. Reconhecida como Mestre Cultura Viva em 2019, tornou-se referência na transmissão dessa técnica artesanal em Jacareí, contribuindo para a formação de novos artesãos e para a valorização dos saberes manuais como patrimônio cultural.

Sua trajetória na tapeçaria teve início em 1990, quando aprendeu a técnica com as tecelãs da Manufatura de Tapetes Santa Helena. Encantada pela riqueza artística e pela complexidade do trabalho manual, aprofundou seus conhecimentos e passou a dedicar-se intensamente ao aperfeiçoamento dessa arte, transformando o aprendizado em uma missão de compartilhamento cultural.

Pouco tempo depois, começou a ministrar aulas em sua própria residência, oferecendo oportunidades para que outras pessoas conhecessem e aprendessem a técnica. Sua atuação logo ultrapassou o ambiente doméstico, alcançando projetos sociais e iniciativas comunitárias voltadas à inclusão e ao desenvolvimento humano por meio do artesanato.

Entre 1994 e 2003, atuou como voluntária no projeto Renascer Batuíra Jacareí, onde compartilhou seus conhecimentos com diferentes públicos, utilizando a tapeçaria como ferramenta de aprendizado, convivência e valorização da criatividade. Seu trabalho contribuiu para fortalecer a autoestima dos participantes e ampliar o acesso a práticas artesanais tradicionais.

A partir dos anos 2000, sua atuação tornou-se ainda mais abrangente. Entre 2000 e 2017, ministrou oficinas e cursos em diversos bairros de Jacareí por meio de ações promovidas pela Secretaria Municipal de Assistência Social. Nesse período, levou seus ensinamentos a espaços como o Centro de Convivência Viva Vida, unidades dos CRAS e a UBS do bairro Igarapés, além de participar de atividades formativas no Educamais Jacareí.

Sua dedicação ao ensino permitiu que inúmeras pessoas tivessem contato com uma técnica artesanal pouco difundida no Brasil. Mais do que ensinar pontos e acabamentos, Joy transmitia valores ligados à paciência, à concentração, à disciplina e ao apreço pelo trabalho manual, características fundamentais para a execução da tapeçaria de Arraiolo.

Os tapetes de Arraiolos constituem uma das mais tradicionais manifestações artesanais de Portugal. Produzidos por meio de bordados em lã sobre telas de juta ou algodão, são reconhecidos pela riqueza de seus desenhos, pela durabilidade e pela sofisticação dos acabamentos. As referências históricas mais antigas dessa técnica remontam ao final do século XV, tornando-a uma das expressões artesanais mais antigas ainda preservadas na Península Ibérica.

Tradicionalmente, os tapetes eram confeccionados com desenhos geométricos, florais e ornamentais, utilizando cores harmoniosas e padrões cuidadosamente elaborados. O preenchimento era realizado por meio do chamado ponto de Arraiolos, técnica que exige precisão e habilidade para garantir uniformidade e beleza à peça final.

Ao longo dos séculos, essa tradição foi transmitida entre gerações de artesãs, preservando conhecimentos que unem arte, história e identidade cultural. Ao dedicar-se à difusão dessa técnica em Jacareí, Joy Unger Ramos Denkena tornou-se uma importante ponte entre a tradição portuguesa e a cultura artesanal brasileira.

Sua trajetória evidencia o papel dos mestres da cultura popular na preservação dos saberes manuais e na valorização do patrimônio imaterial. Por meio do ensino e da prática constante, ajudou a garantir que uma técnica centenária continuasse viva e acessível às novas gerações.

Em reconhecimento à sua contribuição para a cultura e para o artesanato tradicional, recebeu em 2019 o título de Mestre Cultura Viva, honraria concedida a pessoas que se destacam na preservação e transmissão dos conhecimentos culturais de suas comunidades.

O legado de Joy Unger Ramos Denkena permanece presente nas peças produzidas por seus alunos, nas oficinas que realizou e na continuidade da tapeçaria de Arraiolo como expressão artística e cultural. Sua história demonstra como o artesanato pode unir tradição, educação e transformação social, fortalecendo laços entre passado e presente por meio das mãos de quem cria e ensina.