Nascido em 13 de janeiro de 1935, na cidade de Jacareí, São Paulo, Marcolino José de Souza, conhecido artisticamente como “Paraitinga”, é um destacado representante da música de raiz brasileira. Reconhecido como violeiro e compositor, construiu sua trajetória artística com forte vínculo com as tradições culturais do interior paulista, especialmente aquelas ligadas à viola caipira e às manifestações populares.
Sua atuação musical teve início em 1992, quando passou a exercer seu ofício de forma mais estruturada junto à Fundação Cultural de Jacareí. A partir desse momento, consolidou-se como um importante difusor da música tradicional, participando de apresentações, eventos culturais e projetos voltados à valorização da cultura popular.
Ao longo de sua trajetória, formou a dupla “Paraitinga e Maria Rosa”, ao lado de Maria, com quem desenvolveu um repertório voltado à música raiz. Juntos, realizaram diversas apresentações em programas culturais do município, contribuindo para a preservação e difusão de um repertório musical ligado às tradições rurais brasileiras.
No início dos anos 2000, ampliou ainda mais sua atuação artística ao formar o trio “Paraitinga, Aridel e Maria Rosa”, com o qual passou a se apresentar em diferentes espaços culturais. Nesse período, o grupo também incorporou ao seu trabalho a dança da catira, fortalecendo a ligação entre música, dança e tradição popular. Por suas apresentações e dedicação à cultura caipira, o grupo ficou conhecido como os “Veteranos da Catira”.
A catira, também chamada de cateretê, é uma manifestação do folclore brasileiro marcada pela combinação entre música e dança, na qual o ritmo é produzido principalmente pela batida sincronizada de pés e mãos dos participantes. Essa expressão cultural reúne elementos de diferentes matrizes, incluindo influências indígenas, africanas e europeias, refletindo a diversidade da formação cultural brasileira.
Tradicionalmente, a catira é executada por grupos compostos por seis a dez dançadores, acompanhados por uma dupla de violeiros que conduzem a música e o canto. A prática é especialmente associada ao universo rural, sendo comum entre boiadeiros, lavradores e comunidades do interior, onde se mantém viva como forma de celebração, lazer e preservação da identidade cultural.
A trajetória de Marcolino José de Souza evidencia sua contribuição significativa para a manutenção e valorização dessas tradições. Seu trabalho como violeiro, compositor e integrante de grupos culturais reforça o papel da música de raiz como instrumento de preservação da memória coletiva e da identidade regional.
Em reconhecimento à sua importância para a cultura popular, recebeu em 2012 o título de Mestre Cultura Viva, distinção concedida a pessoas que desempenham papel fundamental na transmissão de saberes tradicionais e na preservação do patrimônio cultural imaterial.
Seu legado permanece vivo nas apresentações, nas composições e na continuidade das práticas culturais que ajudou a fortalecer, mantendo viva a tradição da música caipira e da catira como expressões essenciais da cultura brasileira.