Nascido em 10 de agosto de 1957, no município de Santo André, São Paulo, Marcos Sampaio construiu uma trajetória marcada pela dedicação à capoeira enquanto expressão cultural, esportiva e artística. Reconhecido como Mestre Cultura Viva em 2017, tornou-se uma referência na difusão, organização e valorização da capoeira no município de Jacareí e em outras cidades do estado de São Paulo.
Seu primeiro contato com a capoeira ocorreu em 1973, momento em que iniciou sua aproximação com essa manifestação cultural brasileira que une música, dança, luta e ancestralidade. No ano seguinte, ingressou em uma Associação de Capoeira, dando início a sua formação prática e ao desenvolvimento de suas habilidades dentro dessa tradição.
A partir desse envolvimento inicial, Marcos Sampaio passou a se destacar em competições e eventos, conquistando reconhecimento como atleta e praticante da capoeira. Ao longo dos anos, foi campeão em diversos campeonatos realizados nas cidades de Jacareí, Santo André e São Paulo, consolidando sua presença no cenário da capoeira regional.
Em 1976, mudou-se para Jacareí, cidade onde passou a desenvolver de forma mais intensa sua atuação na capoeira. Sua presença contribuiu para o fortalecimento e a organização dessa prática no município, ampliando seu alcance e incentivando a formação de novos grupos e praticantes.
Um dos marcos mais importantes de sua trajetória ocorreu em 1996, quando assumiu o cargo de diretor regional da Federação Paulista de Capoeira. Nessa função, passou a atuar diretamente na estruturação e organização da capoeira em nível institucional, promovendo iniciativas voltadas à valorização da prática e à sua consolidação como expressão cultural reconhecida.
No ano seguinte, em 1997, sua atuação contribuiu para a fundação da primeira Liga Jacareiense de Capoeira. Essa iniciativa representou um importante passo para a organização dos grupos locais, fortalecendo a articulação entre mestres, alunos e praticantes, além de ampliar a visibilidade da capoeira no município.
A capoeira, manifestação cultural à qual dedicou sua vida, é uma expressão brasileira que combina elementos de arte marcial, dança, música e cultura popular. Desenvolvida por descendentes de africanos escravizados, caracteriza-se por movimentos ágeis, ritmados e complexos, incluindo golpes como chutes, rasteiras, cabeçadas, joelhadas e acrobacias.
A musicalidade desempenha papel central na capoeira, sendo conduzida por instrumentos tradicionais como o berimbau, o atabaque e o pandeiro, além de cantos que narram histórias, valores e experiências dos praticantes. Essa combinação de elementos faz da capoeira uma das mais importantes manifestações da cultura afro-brasileira.
A Roda de Capoeira foi reconhecida como bem cultural pelo IPHAN em 2008, e posteriormente, em 2014, recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, reforçando sua importância no cenário cultural mundial.
A trajetória de Marcos Sampaio evidencia o papel dos mestres na preservação e organização da capoeira, contribuindo para sua continuidade como prática cultural viva. Seu trabalho como atleta, educador e articulador institucional ajudou a fortalecer a capoeira em Jacareí e a formar novas gerações de praticantes.
Em reconhecimento à sua contribuição para a cultura popular, recebeu em 2017 o título de Mestre Cultura Viva, honraria destinada a personalidades que desempenham papel fundamental na preservação e transmissão dos saberes tradicionais brasileiros.
Seu legado permanece presente nas rodas de capoeira, nas organizações que ajudou a estruturar e na formação de novos capoeiristas, reafirmando a capoeira como expressão viva de identidade, resistência e cultura.