Nascida em 9 de maio de 1941, no município de Santa Rita, Minas Gerais, Maria das Dores Ribeiro, conhecida como Mãe Dorinha, é uma importante referência da religiosidade de matriz afro-brasileira, atuando como ialorixá de Umbanda. Reconhecida como Mestre Cultura Viva em 2013, construiu uma trajetória marcada pela dedicação à fé, à caridade e ao atendimento espiritual comunitário.
Em 1972, iniciou suas atividades religiosas, dedicando-se ao trabalho espiritual e ao acolhimento de pessoas que buscavam orientação, amparo e auxílio por meio da Umbanda. Em 1977, estabeleceu-se de forma definitiva em sua comunidade de atuação, onde passou a desenvolver seu trabalho como mãe de terreiro, consolidando sua liderança espiritual.
Como ialorixá, Mãe Dorinha exerce o papel de dirigente de terreiro, sendo responsável pela condução dos rituais, pela orientação dos praticantes e pela manutenção das tradições religiosas. Na Umbanda, a figura da ialorixá representa a liderança feminina espiritual, responsável pela organização do terreiro e pela mediação entre o sagrado e a comunidade.
Sua atuação é profundamente marcada pela prática da caridade. Desde o início de sua trajetória, dedica-se ao atendimento espiritual realizado aos sábados, de quinze em quinze dias, acolhendo todas as pessoas sem distinção. Esse trabalho voluntário reflete um compromisso contínuo com a solidariedade, o cuidado com o próximo e a vivência dos princípios espirituais da religião.
Ao longo dos anos, Mãe Dorinha tornou-se uma referência local no exercício da fé e no atendimento espiritual comunitário. Seu terreiro passou a ser um espaço de acolhimento, escuta e orientação, reunindo pessoas em busca de apoio espiritual e fortalecimento emocional.
Sua atuação foi reconhecida publicamente por meio de homenagens, incluindo participação na Conferência Municipal Comemorativa da Umbanda e do Candomblé de Jacareí, realizada na Sala Mário Lago, evento que destacou sua importância para a preservação e valorização das religiões de matriz afro-brasileira no município.
A trajetória de Maria das Dores Ribeiro evidencia o papel fundamental das lideranças religiosas femininas na Umbanda, responsáveis pela transmissão de saberes, pela organização dos rituais e pela manutenção de uma tradição espiritual profundamente enraizada na cultura brasileira.
Sua história também reflete a natureza sincrética da Umbanda, religião surgida no início do século XX no Brasil, que reúne elementos do catolicismo, das tradições africanas e das espiritualidades indígenas, constituindo uma das expressões religiosas mais significativas da diversidade cultural do país.
O legado de Mãe Dorinha permanece vivo na continuidade de seu trabalho espiritual, na prática da caridade e na influência exercida sobre sua comunidade, representando a força da fé, da dedicação e do serviço ao próximo.