Nascida em 27 de dezembro de 1944, no município de Paraibuna, São Paulo, Maria Faria de Souza, conhecida artisticamente como Maria Rosa, é uma importante representante da música caipira tradicional e das manifestações culturais ligadas à viola e à catira. Reconhecida como Mestre Cultura Viva em 2015, construiu uma trajetória marcada pelo amor à música sertaneja de raiz e pelo compromisso com a preservação das tradições culturais do interior paulista.
Mudou-se para Jacareí em 1962, ano que também marca o início de sua participação mais ativa nas atividades culturais relacionadas à música popular tradicional. Desde jovem demonstrava grande apreço pelas modas de viola e pelas canções que retratavam a vida no campo, os costumes rurais e os valores transmitidos pelas gerações anteriores.
Sua trajetória artística ganhou maior destaque em 1992, quando passou a se apresentar ao lado de Marcolino José de Souza, o conhecido Paraitinga, formando uma dupla voltada à interpretação da autêntica música sertaneja raiz. As apresentações realizadas no Clube da Saudade e em diversos eventos culturais contribuíram para fortalecer a presença desse gênero musical no cenário cultural de Jacareí.
Ao longo de sua carreira, Maria Rosa tornou-se também uma importante praticante da catira, manifestação cultural que combina música, dança e tradição popular. Durante aproximadamente quinze anos, participou ativamente de grupos dedicados à preservação dessa expressão folclórica, contribuindo para manter viva uma prática transmitida entre gerações.
Além do trabalho desenvolvido ao lado de Paraitinga, integrou uma dupla com Aridel, apresentando modas de viola que acompanhavam as apresentações de catira. Essa união entre música e dança reforçava as características tradicionais da manifestação, proporcionando ao público uma experiência cultural que resgata elementos fundamentais da cultura caipira.
Seu trabalho esteve frequentemente ligado às ações promovidas em apoio à Fundação Cultural de Jacareí, participando de festivais, encontros culturais, apresentações comunitárias e eventos voltados à valorização do patrimônio imaterial do município. Por meio dessas atividades, colaborou para a difusão da música de raiz e para o fortalecimento da identidade cultural regional.
A catira, também conhecida como cateretê, é uma das mais tradicionais manifestações do folclore brasileiro. Caracteriza-se pela combinação entre canto, viola e dança, tendo como principal marca rítmica a batida sincronizada dos pés e das mãos dos participantes. Sua origem reúne influências indígenas, africanas e europeias, refletindo a diversidade cultural presente na formação do povo brasileiro.
Tradicionalmente associada ao universo rural, a catira tornou-se símbolo da cultura caipira, especialmente nas regiões do interior paulista e de outros estados do Sudeste e Centro-Oeste. A presença dos violeiros é fundamental para a realização da dança, pois são eles os responsáveis por conduzir musicalmente as apresentações por meio das modas de viola.
A trajetória de Maria Rosa representa a dedicação de artistas populares que, por meio da música e da dança, contribuem para a preservação de importantes manifestações culturais brasileiras. Seu trabalho ajudou a manter viva a tradição da viola caipira e da catira, fortalecendo a memória cultural e promovendo o encontro entre diferentes gerações.
Em reconhecimento à sua contribuição para a cultura popular, recebeu em 2015 o título de Mestre Cultura Viva, honraria destinada a pessoas que desempenham papel fundamental na preservação e transmissão dos saberes tradicionais.
Seu legado permanece presente nas canções, nas apresentações e na memória daqueles que tiveram a oportunidade de acompanhar sua trajetória artística, marcada pelo compromisso com a música de raiz e com a valorização das tradições culturais de Jacareí e do Vale do Paraíba.