Nascida em 26 de maio de 1919, em Uruçá, no estado da Bahia, Nerina Tavares Nunes dedicou grande parte de sua vida à preservação das tradições religiosas populares, tornando-se reconhecida como uma importante festeira devota de Santo Antônio. Sua trajetória é marcada pela fé, pela devoção e pelo compromisso em manter viva uma celebração transmitida entre gerações, fortalecendo os laços comunitários e preservando importantes manifestações da cultura religiosa brasileira.
Sua ligação com Santo Antônio teve início ainda na infância. Desde pequena, acompanhava as práticas religiosas realizadas por seu pai e observava com admiração os momentos de oração dedicados ao santo. Esse convívio despertou nela uma profunda afinidade com Santo Antônio, devoção que cresceu ao longo dos anos e se transformou em uma missão de vida.
Em 1937, ainda jovem, passou a assumir ativamente a responsabilidade pela realização das festividades dedicadas ao santo, iniciando uma longa trajetória como festeira. Com dedicação e zelo, organizava os preparativos, mantinha as tradições religiosas e mobilizava familiares, amigos e vizinhos em torno da celebração, contribuindo para a continuidade de uma prática que integra o patrimônio cultural imaterial de muitas comunidades brasileiras.
Ao longo dos anos, Nerina compartilhou essa missão com seu marido, que a acompanhou na organização dos festejos até seu falecimento. Posteriormente, a tradição foi mantida com a participação dos filhos e demais familiares, garantindo que os conhecimentos e rituais associados à devoção fossem transmitidos às novas gerações.
Uma das principais características da celebração organizada por Nerina era a montagem do altar dedicado a Santo Antônio, iniciada no dia 1º de junho. Com grande significado simbólico, o ritual consistia em elevar diariamente a imagem do santo a um novo degrau, em um gesto de reverência e preparação espiritual para a grande festa do dia 13 de junho, data tradicionalmente dedicada ao santo. Esse costume reunia momentos de oração, encontros familiares e manifestações de fé compartilhadas pela comunidade.
O altar cuidadosamente preparado tornava-se o centro das celebrações, representando não apenas a devoção religiosa, mas também a união entre as pessoas envolvidas nos festejos. Cada degrau percorrido pela imagem simbolizava a aproximação da data festiva, fortalecendo o sentimento de expectativa, pertencimento e renovação da fé entre os participantes.
Por meio de sua atuação, Nerina Tavares Nunes contribuiu para preservar uma tradição que ultrapassa o âmbito religioso, assumindo também importante papel cultural e social. Os festejos de Santo Antônio constituem espaços de convivência comunitária, transmissão de valores e fortalecimento da identidade coletiva, aspectos que ela ajudou a manter vivos durante décadas.
Sua dedicação demonstra a relevância das festeiras populares como guardiãs de práticas tradicionais transmitidas de geração em geração. Com simplicidade e profundo compromisso religioso, Nerina transformou sua devoção em uma forma de serviço à comunidade, mantendo acesa uma tradição que integra a memória afetiva e cultural de inúmeras famílias.
A trajetória de Nerina Tavares Nunes representa a força da fé popular e a importância daqueles que dedicam suas vidas à preservação dos costumes religiosos. Seu legado permanece vivo na continuidade das celebrações, nas lembranças compartilhadas por familiares e devotos e na manutenção de uma tradição que une espiritualidade, cultura e identidade comunitária.