Nascida em 10 de dezembro de 1949, no município de Santa Branca, São Paulo, Neusa Maria dos Santos Camargo construiu uma trajetória marcada pelo talento culinário, pelo empreendedorismo e pela preservação de tradições gastronômicas populares. Reconhecida como Mestre Cultura Viva em 2016, tornou-se uma das mais conhecidas representantes da doçaria artesanal de Jacareí, especialmente pela produção de suas tradicionais cocadas.
Mudou-se para Jacareí em 1960, ainda jovem, passando a integrar a vida social e cultural da cidade. Foi nesse ambiente que desenvolveu sua relação com a culinária e com os saberes tradicionais ligados à produção artesanal de doces, conhecimentos que mais tarde se transformariam em sua principal atividade profissional.
Sua atuação como doceira teve início por volta da década de 1980, período em que começou a aperfeiçoar receitas, técnicas de preparo e formas de comercialização de seus produtos. Com dedicação e persistência, consolidou seu trabalho e passou a atuar regularmente nas feiras livres da cidade, espaços que historicamente representam importantes pontos de encontro entre produtores, comerciantes e consumidores.
Ao longo dos anos, tornou-se uma figura bastante conhecida entre os frequentadores das feiras jacareienses. Seu trabalho conquistou reconhecimento pela qualidade dos produtos oferecidos e pelo cuidado empregado na produção artesanal dos doces. Entre todas as especialidades que desenvolveu, destacam-se as cocadas, que se tornaram sua principal marca e um dos produtos mais procurados por sua clientela.
Produzidas de forma artesanal, suas cocadas conquistaram admiradores de diferentes gerações. O sabor característico, aliado à regularidade na produção e ao atendimento próximo aos clientes, contribuiu para a formação de uma clientela fiel que acompanha seu trabalho há décadas. Com o passar do tempo, seus doces passaram a ser identificados como uma referência nas feiras livres de Jacareí.
A cocada é um dos doces mais tradicionais da culinária brasileira, preparada principalmente à base de coco e açúcar. Presente em diversas regiões do país, possui diferentes formas de preparo e sabores, refletindo influências culturais e adaptações regionais. Sua permanência ao longo dos séculos demonstra a força das tradições culinárias populares e a importância dos produtores artesanais na preservação desses saberes.
No caso de Neusa Maria dos Santos Camargo, a produção das cocadas ultrapassou a dimensão comercial e tornou-se parte da identidade cultural local. Sua presença constante nas feiras e a qualidade de seus produtos contribuíram para transformar o doce em uma tradição reconhecida pelos moradores da cidade.
Além de gerar sustento e fortalecer a economia popular, seu trabalho representa a valorização de conhecimentos transmitidos por meio da prática cotidiana, da experiência e do aperfeiçoamento contínuo. Como tantas outras doceiras brasileiras, Neusa ajudou a manter viva uma tradição culinária que conecta sabores, memórias e afetos.
Em reconhecimento à relevância de sua trajetória e à contribuição prestada à cultura popular, recebeu em 2016 o título de Mestre Cultura Viva, honraria concedida a pessoas que atuam na preservação e transmissão dos saberes tradicionais brasileiros.
O legado de Neusa Maria dos Santos Camargo permanece presente nas feiras livres de Jacareí, na memória de seus clientes e na continuidade de uma tradição doceira que integra o patrimônio cultural e afetivo da cidade. Sua história demonstra como a culinária artesanal pode se transformar em um importante instrumento de preservação cultural e de fortalecimento da identidade comunitária.