Reconhecida como Mestre Cultura Viva em 2016, Rosilene Masiero construiu sua trajetória como uma importante representante da arte manual tradicional, destacando-se especialmente na preservação e valorização da técnica do fuxico. Sua história é marcada pelo vínculo profundo com os saberes artesanais transmitidos no ambiente familiar e pela continuidade de uma tradição que atravessa gerações.
Desde a infância, Rosilene teve contato com a prática do fuxico, aprendendo a técnica de forma natural no convívio com familiares que já dominavam esse saber artesanal. Esse aprendizado precoce permitiu que desenvolvesse, ao longo do tempo, habilidade e sensibilidade na criação de peças que unem criatividade, tradição e identidade cultural.
Para ela, o fuxico não é apenas uma técnica artesanal, mas uma herança cultural familiar que deve ser preservada e compartilhada. Essa compreensão fez com que assumisse o compromisso de manter viva essa tradição, dedicando-se à produção contínua de peças e à valorização do saber manual como expressão cultural.
O fuxico é uma técnica tradicional de artesanato baseada no reaproveitamento de retalhos de tecido. O processo consiste em recortar pequenos círculos de tecido, alinhavar suas bordas e puxar a linha até formar pequenas trouxinhas. Essas peças, conhecidas como fuxicos, podem ser combinadas entre si para formar composições decorativas diversas.
A união de vários fuxicos permite a criação de flores, colchas, bolsas, tapetes, colares, broches e inúmeros outros objetos decorativos. Essa técnica se destaca não apenas pelo resultado estético, mas também pelo caráter sustentável, já que utiliza sobras de tecido que seriam descartadas, transformando-as em novas peças de valor artístico e utilitário.
Ao longo do tempo, Rosilene Masiero consolidou-se como uma mestra dessa técnica, mantendo viva uma tradição que faz parte da cultura popular brasileira. Seu trabalho reflete o cuidado com o detalhe, a paciência no fazer manual e o respeito pelos saberes transmitidos de geração em geração.
A prática do fuxico, presente em diversas regiões do Brasil, carrega consigo uma forte ligação com a memória afetiva e com a história das comunidades. Muitas vezes desenvolvida no ambiente doméstico, essa técnica representa também uma forma de expressão criativa e de geração de renda, especialmente para mulheres artesãs.
A trajetória de Rosilene evidencia a importância da preservação dos saberes manuais como parte fundamental do patrimônio cultural imaterial. Seu trabalho contribui para manter viva uma tradição que une arte, sustentabilidade e identidade cultural.
Em reconhecimento à sua dedicação e contribuição para a cultura popular, recebeu o título de Mestre Cultura Viva em 2016, honraria concedida a pessoas que se destacam na preservação e transmissão dos saberes tradicionais brasileiros.
Seu legado permanece presente nas peças que produz, no conhecimento que transmite e na continuidade de uma tradição artesanal que segue viva através do fuxico e de sua relevância cultural.