Biografia dos Mestres da Cultura Viva

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Nascido em 7 de abril de 1952, no município de Paraibuna, São Paulo, Sebastião Ferreira Martins é um importante representante da cultura caipira e da música de raiz brasileira. Reconhecido como violeiro e mestre de catira, construiu sua trajetória artística voltada à preservação das tradições musicais do interior paulista, contribuindo para a valorização de manifestações culturais que fazem parte da identidade popular do país.

Em 1973, mudou-se para Jacareí, onde consolidou sua atuação cultural e deu continuidade ao seu envolvimento com a música tradicional. A partir de 1985, iniciou de forma mais estruturada sua trajetória artística, dedicando-se à formação de grupos, apresentações e ao resgate da memória da música caipira.

Ao lado de sua esposa, Terezinha, formou uma dupla sertaneja que marcou o início de sua atuação conjunta na música. Juntos, também integraram o grupo “Os Catereiros de Jacareí”, ativo entre 1985 e 1996, dedicado à preservação e difusão da catira e da música raiz. O grupo teve papel importante na valorização das tradições caipiras na região, levando ao público apresentações que uniam música, dança e memória cultural.

Com o passar dos anos, Sebastião Ferreira Martins ampliou sua atuação como guardião da tradição, integrando o grupo “Os Veteranos da Catira Martins”, com o qual continuou a resgatar e apresentar a cultura da catira. Paralelamente, mantém sua atuação musical como violeiro na dupla “Duo Martins”, reforçando sua dedicação contínua à música tradicional.

Seu trabalho está profundamente ligado à preservação da cultura caipira e à valorização dos grandes compositores da música de raiz do passado. Por meio de suas apresentações, busca manter viva a memória musical das gerações anteriores, transmitindo ao público o repertório, os ritmos e os valores associados ao universo rural brasileiro.

A catira, também conhecida como cateretê, é uma dança folclórica marcada pela forte interação entre música e movimento corporal, em que o ritmo é produzido pela batida sincronizada de pés e mãos dos dançadores. Essa manifestação cultural possui origens híbridas, com influências indígenas, africanas e europeias, sendo tradicionalmente associada ao ambiente rural, especialmente entre boiadeiros e lavradores.

As apresentações de catira costumam reunir grupos de seis a dez dançadores, acompanhados por uma dupla de violeiros responsáveis pela execução musical e pelo canto das modas. Essa estrutura reforça o caráter coletivo da manifestação, que une dança, música e oralidade como formas de expressão cultural.

A trajetória de Sebastião Ferreira Martins evidencia seu compromisso com a preservação dessa tradição. Seu trabalho como violeiro, mestre de catira e integrante de diferentes grupos musicais contribui para manter viva uma das mais significativas expressões da cultura popular brasileira.

Em reconhecimento à sua relevância cultural e à sua dedicação à preservação dos saberes tradicionais, recebeu em 2013 o título de Mestre Cultura Viva, honraria concedida a pessoas que desempenham papel fundamental na transmissão e valorização do patrimônio cultural imaterial.

Seu legado permanece presente nas apresentações, nos grupos que ajudou a formar e na continuidade das práticas culturais que dedicou sua vida a preservar.